2/13/2020

"The art of teaching is the art of assisting discovery."
― Mark Van Doren

1/06/2020

It’s Kindergarten time, and now? E o Português como Língua de Herança como fica?



Escrito por Cristiane Galvão, Ed.D.

Quando optamos por passarmos uma língua de herança para nossos filhos, passamos por fases de inseguranças quanto à maneira na qual estamos lidando com a formação linguística deles. Além de tudo, essas inseguranças são na verdade adicionadas às preocupações que já são inerentes à maternidade. A família que opta por educar os filhos bilíngues, especialmente as que optam por passar uma língua como herança, vai lidar com certos desafios ainda mais particulares desse contexto; esses desafios podem ocorrer pela falta de pessoas que falem a língua de herança para interagir com a criança e até mesmo a falta de recursos tais como livros e atividades nas quais a criança possa ter maior exposição à língua. Tudo isso, mais uma vez, é adicionado aos desafios relacionados à rotina diária e ao desenvolvimento da criança. 
Passar uma língua de herança vai ser um processo de altos e baixos, com momentos de progressos visíveis e momentos de progressos invisíveis. Chamo de progresso visível aquele no qual notamos o uso da língua imediatamente, como num momento de repetição de palavras, por exemplo. E chamo de progresso invisível, aqueles resultados que só vamos perceber bem mais adiante no processo da comunicação da criança tais como o uso das palavras, sentenças e expressões que só vão aparecer em um momento no qual nós até já nem nos lembrávamos mais de termos ensinado para a criança. 
Tudo é um processo. Tudo na aquisição da língua de herança vai depender da quantidade de interação a qual a criança está sendo exposta. A cada fase de desenvolvimento a criança muda o seu jeito de agir, e acredite, ela vai agir assim também no processo de aquisição da língua de herança. 
Em um texto anterior eu mencionei, que aos dois anos, a minha filha parou de me responder em às interações em português. Eu sofri bastante para aceitar aquela fase, mas ter conhecimento daquelas mudanças pertinentes à idade me fez buscar suporte teórico para entender as fases que a criança vivenciava naquela idade no que se refere à aquisição de linguagem. Essa busca e o conhecimento adquirido foram essenciais para eu continuar. 
Além do desafio das mudanças inerentes às fases de desenvolvimento, o desafio da falta de falantes da língua de herança para interagir com a criança é muito comum também. Eu tenho várias amigas brasileiras, porém os filhos de algumas delas não falam português. De qualquer maneira, a minha interação com outras famílias brasileiras sempre fez parte da minha vida. 
Percebi que na minha roda de amigos, que muitas vezes, a tomada de decisão de passar a língua de herança é uma decisão da mãe. E com essa decisão, as mães acabam sendo as únicas pessoas a serem a principal fonte de exposição da criança à segunda língua. Esse fator é também um dos motivos pelos quais algumas mães deixaram de passar a língua de herança aos seus filhos. Muitas delas desistiram de passar o português para os filhos, justamente por acharem que as crianças não aprenderão tendo apenas um falante daquela língua na convivência deles.          
Os fatores culturais também são super relevantes e nesse caso e podem afetar as escolhas das pessoas. É também muito comum perceber que muitas pessoas não se sentem confortáveis em conversar com os seus filhos em um ambiente no qual ninguém mais fala aquela língua. Eu já passei por isso, mas optei por comunicar-me com a minha filha em português, pois sabia que seria para o bem dela. Mas entendo que todas essas atitudes e experiências são normais quando estamos lidando com adaptação cultural ou quando já estamos bastante imersos em uma cultura. Falo isso, pois vivi e ainda vivo isso! 
A cultura é algo que influencia fortemente a forma como agimos em prol de nós mesmos ou dos outros, portanto, criar uma criança bilíngue também é afetado pela cultura local e como vivenciamos a realidade ao nosso redor. Sendo assim, como mencionei anteriormente, algumas famílias vão optar por não passarem a língua de herança aos seus filhos. Isso é normal, natural e faz parte desse processo, afinal cada pessoa experiencia a adaptação a uma nova cultura de maneira diferente.            Porém, enfatizo que vale a pena fazer uma avaliação e ver quais são os benefícios que deixamos de passar para as nossas crianças ao nos limitarmos devido aos desafios enfrentados. E como já disse muitas vezes, os desafios existirão, serão comuns e não há como evitá-los. Entre tantos desafios que enfrentei, vou contar o mais recente.  
No ano passado, a minha filha entrou na escola. Começou o transitional kindergarten. Como antes ela passava a maior parte do tempo comigo, era fácil manter a comunicação em português. Agora, indo para a escola, já não passamos tanto tempo mais juntas como antes. O inglês, a língua materna dela é que é a língua predominante na vida dela. Na primeira semana de escola, sempre que eu ia buscá-la, ela já saía da sala de aula conversando em inglês comigo. Depois, íamos para o carro e continuávamos a conversa em inglês. Por uma semana inteira, eu percebi que eu mesma estava me comunicando com ela somente em inglês para que ela me contasse todas as coisas sobre as novidades da escola. 
Na segunda semana, atentei-me para o fato de que eu estava falando muito mais em inglês com ela do que antes e percebi também que poderia aproveitar todas aquelas novidades para ampliar o vocabulário dela em português. O contexto e o assunto eram todos tão novos, então nada melhor do que aproveitar tudo para conversarmos em português também. Então comecei a conversar com ela novamente somente na língua de herança, e assim o fazia desde o momento em que ela saia da sala de aula. Interessante é que após uma semana conversando com ela em inglês, na maior parte do tempo, ela já não me respondia em português mesmo quando eu estava falando com ela em português. Me veio o frio na barriga de novo, afinal, eu falava com ela em português e ouvia as respostas apenas em inglês. Como eu já tinha passado pela situação quando ela tinha 2 anos, não me estressei mais como havia feito antes.
Devido a isso, comecei a comentar com ela – coisa que eu nunca tinha feito antes – que eu preferia que ela me respondesse em português, afinal ela quer ir passear no Brasil e vai precisar ter o português na ponta da língua. Isso foi a primeira motivação. Depois, eu disse a ela que seria importante ela conversar comigo em português para que ela pudesse continuar se comunicando com as primas pelo Facetime. Funcionou! Ufa! Desde então, ela conversa comigo em português e quando responde algo em inglês, eu a relembro, de maneira bem sutil, afinal não quero causar bloqueios, que logo ela poderá visitar as primas no Brasil e vai ser o máximo falar com elas apenas em português. 
Ainda falando em kindergarten, eu aproveito para conversar com ela, em português, sobre tudo que a professora manda no e-mail semanal. Conversamos sobre os coleguinhas, os eventos, o calendário escolar, sobre a escolha do lanche e do almoço, etc. 
Então, it is kindergarten time, mas dá tempo de aproveitar tudo que acontece para manter o português como língua de herança. Se você está vivendo algo semelhante, não desanime! Qualquer coisa me chama e podemos conversar. 

Você pode ouvir a este texto aqui: PLH by Cristiane Galvão

9/15/2019

A escolha das músicas infantis em PLH


Texto originalmente publicado como áudio no meu Podcast: A escolha das músicas infantis em PLH

Sempre gostei de música e, desde pequena, gosto muito de cantar. Costumo dizer que minha vida tem trilha sonora e cada coisa que vivo tem uma música associada ao momento. Desde que me tornei mãe passei a ouvir músicas infantis e até mesmo quando quero cantar algo diferente é a música infantil que ecoa no meu cérebro primeiro.
A música, assim como todos os outros sons que fazem parte da nossa vida, também faz parte do mundo da criança. Portanto, a escolha da música, assim como a escolha dos livros, deve ser feita cuidadosamente. Nem todas as cantigas de roda são mais vistas como as melhores canções para as crianças. Alguns grupos que produzem músicas para o público infantil brasileiro até já fazem ou fizeram mudanças ou adaptações em cantigas tradicionais devido ao conteúdo das canções. No ensino de português como segunda língua ou língua de herança, muitas vezes temos a tendência a escolher as músicas que marcaram as nossas infâncias e além de tudo que fazem parte da nossa bagagem cultural. Como estamos enfocando a língua como herança, é natural que associemos a ela aquelas canções que fizeram parte da nossa infância. Eu mesma comecei uma lista de músicas infantis durante a gestação, mas só fui prestar atenção em muitas letras das músicas depois que a minha filha nasceu.
Hoje vivo uma reflexão constante sobre quais músicas devo incluir no nosso repertório. Procuro por músicas que tenham uma letra boa, interessante, que seja rica culturalmente e que tenha uma linguagem rica também.
É interessante notar que a criança muda o gosto pelas músicas de acordo com as fases que ela está vivenciando. A maneira e o contexto no qual as canções são inseridas também mudam. Por exemplo, até os dois anos da minha filha, nós ouvíamos músicas o tempo todo, não importava o que ela estivesse fazendo. Havia música sempre, até na hora da soneca, pois tinha um mobile com sons de passarinhos no berço. Desde que ela completou dois anos as coisas mudaram e comecei a utilizar vídeos também, não em grande quantidade, mas utilizei este recurso por ser bastante rico. Então, com o acesso a canais online, ela assistia vídeos dos grupos musicais que até então costumávamos apenas ouvir. A partir do momento que incluímos os vídeos, as músicas continuaram fazendo parte do cotidiano, mas entrou a parte visual também. Grupos como Palavra Cantada e Tiquequê foram um sucesso por aqui, pois são bem coloridos e com muitos movimentos. Ela adorava!
Nos esforços para manter a língua portuguesa e criar um ambiente mais próximo do real possível, a música é uma grande fonte de apoio.
Gosto de adaptar, inventar e cantar conforme o momento que estamos vivendo, mas a criatividade e disponibilidade para criar é essencial. Penso que se quisermos que a língua de herança seja privilegiada, temos que usar diversos recursos para nos ajudar.
Sempre digo que temos uma infinidade de recursos nas mãos, mas em um processo meio solitário e com uma língua minoritária. No caso do Português é bem minoritária mesmo. Então, quanto mais música na caixa, melhor! E ela já aprendeu a dizer "Quem canta, seus males espanta!"
E vamos que vamos! Cantamos, dançamos e torcemos para que essa escolha sempre dê certo e tenha resultados positivos.
Desejo a todas as mamães e papais que estejam na luta diária para manter a língua como herança um mundo cheio de músicas alegres, divertidas e uma vida bem colorida.

Cristiane Galvão

Photo credit: Image by Tarishart from Pixabay

6/13/2019

Thank you Card Activity





Created by Cristiane Galvão
Bilingualism in Practice
June 13th, 2019.


Aqui nos Estados Unidos já é férias de verão. No Brasil, as férias começarão em breve. É normal que nesse fim de semestre, nós educadores, estejamos cansados, na maior correria e fechando notas e diários. Acabamos fazendo tudo na correria e acabamos deixando o planejamento das últimas aulas um pouco de lado. 
Então, para aquela aula da despedida de semestre, eu gostaria de sugerir uma atividade que já fiz com os meus alunos e foi muito bom! É a atividade do “Thank you card”. 


Nas aulas de línguas, mais até do que em outras disciplinas, temos a oportunidade de conversarmos com os nossos alunos sobre as preferências deles, sobre o que não gostam, sobre os planos futuros, etc...  Aprendemos bastante sobre os nossos alunos quando estamos ensinando um tempo verbal, quando pedimos que preparem um diálogo ou texto baseado na vida deles. Enfim, aprendemos sobre os nossos alunos, eles aprendem uns sobre os outros, mas nem sempre temos a oportunidade de agradecer pela a importância que temos uns para os outros no cotidiano escolar. Então, aproveite a sua última aula para reconectar os alunos uns com os outros e quem sabe até dar a oportunidade para que descubram novos amigos ao sentarem e fazerem essa atividade com colegas que ainda não tenham conversado muito antes. 


Como isso pode ser feito?


- Aplique uma dinâmica na qual os alunos agradeçam uns aos outros pelo tempo que passaram juntos. Isso pode ser feito de maneira simples. Aqui nos Estados Unidos, há os Thank you cards! Se alguém fez algo de bom para você, se você foi a uma festa de aniversário na casa da pessoa, ou apenas se você fez um favor que foi valioso para o seu vizinho,  é comum que as pessoas agradeçam enviando um Thank you card. Ainda na época da internet, isso ainda é comum por aqui.

Como educadores de educação bilíngue, podemos ensinar isso aos nossos alunos, e com isso, criar um ambiente mais gratificante em sala de aula.

Aqui está a minha sugestão:


Thank you activity:


Materiais que você vai precisar:


💌 Cartões e envelopes - 1 cartão para cada aluno (se não puder comprar cartões prontos em branco, podem ser feitos com papel sulfite ou cartolina mesmo)
🖨 Imprima no papel a expressão "Thank you". Pode ser em inglês ou adapte ao idioma que você leciona.
📝🖊🖍🖍Canetas coloridas, canetas com glitter, etc.
- Adesivos de temas diversos para enfeitarem os cartões;
- Colas em bastão (secam mais rápido)


Atividade passo-a-passo:


1. Explique aos alunos que você gostaria que eles saíssem de férias, gratos por algo que os tenha marcado e feito a diferença na vida deles durante o semestre. Avise que vai anotar no quadro o que foi mais importante para eles. Enquanto eles falam, anote no quadro, fazendo uma lista. Aproveite o momento para conversar com eles e agradecer sobre o que você, teacher, aprendeu com eles. Afinal, eles também devem ter feito coisas especiais por você ao longo do semestre.

2. Peça aos alunos que sentem em duplas. Você pode fazer um sorteio com os nomes e eles se sentarão com a pessoa que escolherem no sorteio. (Dá um pouco mais de trabalho, pois você terá que fazer a lista, imprimir e recortar os papéis, mas é melhor, pois assim eles sentam com colegas que talvez nunca sentaram antes)

3. Após formarem as duplas, peça para refletirem sobre o que eles aprenderam com aquela pessoa que está sentada com eles. Lembre-os de que todos nós temos algo para ensinar e que sempre aprendemos com os outros. 

3. Explique que vocês farão cartões de agradecimentos uns aos outros e que eles deverão entregar aqueles cartões ao colega que está na dupla. 


- Peça aos alunos que escrevam cartões com frases de reconhecimento pelo que fizeram juntos ao longo do semestre. Se os alunos que sentaram juntos não trabalharam muito juntos ao longo do semestre, peça para escreverem uma frase de algo que eles desejam fazer juntos quando voltarem as aulas. Quem sabe não vai nascer uma nova amizade aí, né? 

- Peça que usem frases de encorajamento; que desejem o sucesso e alegria dos colegas.


4. Entregue a eles os cartões, as canetas coloridas, adesivos, glitter, etc.


5. Ao terminarem, peça que entreguem aos colegas;

6. Para finalizar, peça que todos os alunos leiam para todos da sala as mensagens que receberam do colega. Você pode pedir que façam um inner and outer circle, toque uma música e peça que andem pela sala de aula lendo os cartões uns para os outros. Ao parar a música, eles conversarão com a pessoa que está de frente para eles e assim sucessivamente.

Ao finalizar, pergunte se gostaram e deseje-lhes boas férias. Diga que espera que no início do próximo semestre, todos sejam amigos e tenham muito o que aprender e agradecer pela convivência uns com os outros.


🧐Espero que tenham gostado, que apliquem a dinâmica e que seja um SUCESSO! Caso vocês façam, por favor, deixem um comentário. Vou ficar MUITO FELIZ E GRATA! 

Qualquer dúvida sobre a atividade, por favor, entre em contato comigo.

Obrigada!





6/02/2019

Strategies for a Captivating Storytelling


In this video I give some tips on how to tell a story in a way that will keep the kids interested and participating while you tell the story. 
I also suggest some strategies for storytelling in a foreign/second language. These strategies can be used by teachers or parents. 

I hope you enjoy them.

Thank you,

Cristiane


Wordwall

I have recently used the feature "assignments" from Wordwall with my students. An interesting aspect of this feature is that I can...